Em 1982, sua família, que tinha uma vida sustentável, recebe uma má noticia: seu pai perdeu o emprego. Sua mãe teria que, sozinha, sustentar oito filhos. Entravam nas estatísticas dos excluídos sociais. Negra e apenas com a 4ª série primária restou-lhe fazer faxina, mas o salário recebido com esse trabalho não era suficiente para manter, sustentar e alimentar os filhos.
Eis que surge um milagre: o lixão de Jardim Gramacho, em Duque de Caxias, cidade do estado do Rio de Janeiro. Milagre porque foi ali que ela realizou uma tarefa que parecia impossível: sustentar todos os filhos, educá-los e ensiná-los o valor do trabalho.
A realidade era dura. Sentindo-se explorado, Sebastião (Tião), um desses filhos, resolve não ser catador. Determinado, foge do trabalho para tentar estudar e trilhar um caminho melhor, mas não consegue. Sofre preconceito dos amigos quando descobrem onde sua mãe trabalhava. Guerreira, ela começava a ser conhecida como líder de um grupo que buscava melhorias para sua categoria e, em 1992, durante a Eco 92, organizou a primeira cooperativa de catadores.
Sentindo-se discriminado, abandona a escola. Trabalha como matador de galinha, açougueiro, operário da construção civil e vendedor de gás. Desempregado e dispensado do Exército Brasileiro, desesperado, decide voltar ao lixão. Lá encontra um cenário diferente: tinha sido criada a primeira Cooperativa de Catadores de Materiais Recicláveis do Jardim Gramacho, a Coopergramacho. Trabalhava das 6h às 14h e estudava à tarde. Aos 19 anos, foi eleito presidente do conselho fiscal da entidade. Cinco anos depois, torna-se vice-presidente executivo. E, aos 25 anos, funda a Associação dos Catadores do Aterro Metropolitano do Jardim Gramacho (ACAMJG).
Em 2010, a história dos catadores de Gramacho foi parar no cinema, retratada no documentário “Lixo Extraordinário”, do qual Tião Santos foi protagonista, com a participação do artista plástico Vik Muniz. O filme recebe vários prêmios. Em 2011, “Lixo Extraordinário” concorreu ao Oscar e Tião participa da cerimônia, ao lado de Vick Muniz. O quadro que ilustra o material de divulgação, feito por Vick com material reciclado é vendido em Nova York e a renda é revertida para os catadores de Gramacho. Veja mais informações sobre o filme Lixo Extraordinário neste link.
Em função da repercussão nacional e mundial do filme, Tião tem contado sua história e a dos catadores em vários estados brasileiros e no exterior, através de palestras em escolas, universidades e empresas. Além disso, intermediou a vinda ao Brasil do programa Let’s do it!, nascido na Estônia, que aqui foi rebatizado de “Limpa Brasil”, que organiza.